Dor no ombro não é só bursite: entenda as causas que podem limitar até os movimentos mais simples

A dor no ombro é uma das queixas ortopédicas mais comuns entre adultos e pode estar associada a diferentes doenças que afetam a articulação, os tendões e estruturas ao redor. Entre as patologias mais frequentes estão a bursite, a tendinite calcária e a capsulite adesiva (conhecida popularmente como “ombro congelado”). Embora sejam doenças distintas, elas podem estar relacionadas e, em alguns casos, evoluir de uma para outra quando não diagnosticadas ou tratadas adequadamente.

De acordo com o Dr. Gustavo Barboza de Oliveira, ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo, a bursite costuma ser um dos diagnósticos mais mencionados quando surge dor nessa região, mas atualmente se sabe que o quadro pode ter diversas causas. “A bursite no ombro é um processo inflamatório que ocorre em uma estrutura chamada bursa, uma espécie de bolsa que contém líquido sinovial e ajuda a reduzir o atrito entre as estruturas da articulação. Quando existe um processo inflamatório, traumático ou degenerativo, essa bolsa pode produzir líquido em excesso e inflamar, causando dor intensa”, explica o especialista.

Segundo o médico, a bursite muitas vezes funciona como um sinal de alerta para outras doenças que podem estar presentes no ombro, como tendinites, artrose ou lesões nos tendões. “Durante muito tempo, qualquer dor no ombro era chamada de bursite. Hoje sabemos que existem diversas outras condições que podem provocar esse quadro inflamatório. Por isso, é fundamental investigar a causa real da dor”, destaca.

Impacto no dia a dia

Independentemente da doença específica, os problemas no ombro costumam apresentar sintomas semelhantes. O principal deles é a dor, que pode surgir de forma gradual ou repentina.

Entre os sinais mais comuns das doenças do ombro estão a dor ao realizar movimentos do dia a dia, dificuldade para levantar o braço ou alcançar objetos em locais mais altos, desconforto ao vestir roupas, dor durante atividades físicas ou no trabalho e incômodo noturno, especialmente ao deitar sobre o ombro afetado. Em muitos casos, esses sintomas também vêm acompanhados de limitação progressiva da mobilidade da articulação, o que pode comprometer tarefas simples da rotina.

Segundo o especialista, a persistência da dor é sempre um sinal de alerta. “A dor é o principal sintoma das doenças no ombro. Quando ela se mantém por dias ou semanas, ou vem acompanhada de limitação de movimento, é fundamental procurar avaliação especializada para identificar a causa”, orienta.

 

Principais causas da dor no ombro

Entre as doenças mais frequentes está a tendinite calcária, caracterizada pelo depósito de cristais de cálcio dentro dos tendões do ombro. Esse processo gera inflamação intensa e dor significativa. “Na tendinite calcária ocorre um depósito de cristais de cálcio dentro do tendão, causado por alterações metabólicas do próprio organismo. Esse acúmulo provoca um processo inflamatório muito intenso, com dor, calor local e limitação de movimento”, explica o médico.

Quando não tratada adequadamente, essa condição pode evoluir para a capsulite adesiva – quando a cápsula que envolve a articulação do ombro perde sua elasticidade, tornando-se rígida e limitando os movimentos. Essa condição é mais frequente em mulheres e pode estar associada a traumas, cirurgias, inflamações ou alterações hormonais.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), o ombro congelado afeta entre 2% e 5% da população mundial e é significativamente mais comum em mulheres, especialmente na faixa etária entre 40 e 70 anos. Em muitos casos, a condição surge após traumas, lesões, cirurgias no ombro ou períodos prolongados de imobilização. 

 Tratamentos

O tratamento das doenças do ombro depende da causa do problema e da fase em que a doença se encontra. Na maioria dos casos, a abordagem inicial inclui medicamentos para controle da dor e da inflamação, além de fisioterapia.

No caso da bursite, o primeiro passo é identificar e tratar o fator que desencadeou o processo inflamatório, como lesões tendíneas ou desgaste articular.

Já na tendinite calcária, existem diferentes opções terapêuticas, dependendo da fase da doença. Entre elas estão medicações, fisioterapia, bloqueios analgésicos e procedimentos minimamente invasivos. 

Nos casos de capsulite adesiva, o tratamento costuma ocorrer em etapas. Inicialmente, o objetivo é controlar a dor. Em seguida, busca-se recuperar gradualmente a mobilidade da articulação e, posteriormente, fortalecer a musculatura.

Quando os tratamentos conservadores não apresentam resultados satisfatórios, podem ser indicados bloqueios analgésicos, infiltrações guiadas por imagem e, em situações mais complexas, cirurgia.

Entre as principais recomendações para prevenir problemas no ombro estão manter uma postura adequada durante o trabalho, fortalecer a musculatura do ombro e da região escapular, evitar movimentos repetitivos ou sobrecarga excessiva na articulação e praticar atividades físicas com orientação profissional. Além disso, é fundamental procurar avaliação médica sempre que surgirem dores persistentes, para que a causa do problema seja identificada precocemente e tratada de forma adequada.  “

Quanto mais cedo a causa da dor for identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e recuperação completa da função do ombro”, conclui o médico.

 

Sobre o Dr. Gustavo Barboza de Oliveira – (CRM 16339 e RQE 7937). Ortopedista. Cirurgião do Ombro e Cotovelo. Médico do Hospital Israelita Albert Einstein Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). https://www.instagram.com/doutorombro/

 

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